Veja na matéria abaixo, selecionada entre diversas matérias online que tratavam de "cultura e transformação social" (recebidas via boletins, listas, informativos, etc, desde janeiro de 2007), por mostrar uma forma natural, eficaz e eficiente, de se colocar a cultura regional à disposição da diminuição da desigualdade social.
Atente, diferente de muitos projetos - biônicos, caros, desvinculados da realidade local, pontuais e sem qualquer conexão ou integração com artistas locais ou com a cultura regional - esta proposta resgata e potencializa os valores da cultura local, ao mesmo tempo em que trabalha de forma criativa com artistas da região, produz resultados que vão gerar transformação social; ainda, atualiza/recicla os professores e, finalmente e sobretudo, atrai as crianças, das áreas mais pobres do estado, para o gosto da leitura.
Não é um espetáculo?
Quantas formas mais naturais, eficazes e eficientes de se fazer transformação social a partir da cultura das regiões podem ser criadas? Esta é apenas uma delas!
A cultura regional impulsionando o desenvolvimento humano e social
No CE, cultura regional ajuda a alfabetizar
Coletânea de 25 livros, com tramas e personagens típicos do Ceará, será distribuída a 87.500 alunos de municípios de menor IDH-M.
Uma coletânea com 25 livros infantis, contendo histórias que falam sobre mar, sertão, índios e brincadeiras de criança, sempre com elementos típicos cearenses, será distribuída a escolas municipais de 60 municípios do Ceará que apresentam altas taxas de analfabetismo e menor IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, uma adaptação do IDH aos indicadores regionais brasileiros, feita pelo PNUD e parceiros). O material será encaminhado aos professores da 1ª e 2ª série do ensino fundamental, com o objetivo de estimular a leitura entre os alunos e ajudar a melhorar o nível de aprendizagem.
Ao todo, 3.500 professores vão ganhar a coletânea, que deverá beneficiar cerca de 87.500 alunos. “A intenção é trabalhar os livros nos municípios de menor IDH, para que o processo de alfabetização seja melhor”, ressalta Elisabeth Fireman, orientadora da Célula de Desenvolvimento Curricular da Secretaria Estadual de Educação do Ceará. “É necessário cuidar das crianças de ensino fundamental, dar apoio para que elas possam chegar com um nível de aprendizagem melhor no ensino médio”, completa.
As obras foram escritas e ilustradas por artistas do próprio Estado, selecionados por uma equipe da secretaria. As histórias têm como pano de fundo assuntos bem conhecidos das crianças da região. Na obra “A raposa e o cancão”, faz-se referência ao pássaro encontrado na Caatinga que costuma ser capturado por arapucas construídas pelos jovens. Os índios são retratados em “Curumim, pajé e as lendas do Ceará”. Brincadeiras como empinar pipa e carretilha (uma espécie de surf praticada sem pranchas, apenas com o corpo) são o mote do livro “Palavras ao vento”. Em “Vida de menino”, descrevem-se atividades como dormir na rede, comer tapioca e colher manga.
“Serão 25 historinhas diferentes, assim, cada criança vai ler 25 livros. As histórias são tão gostosas que tanto o professor como os alunos vão ter vontade de ler, contar e usar na sala de aula”, diz Elisabeth. De acordo com ela, além dos livros, os professores vão receber um manual de dinamização, que trará sugestões de como trabalhar o conteúdo das obras, de forma que estimule a participação dos alunos.
A qualidade da educação no Ceará, encontra-se abaixo da média do Brasil, de acordo com o SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica), do Ministério da Educação. Os últimos dados divulgados (referentes a 2003) indicam que apenas 2,4% dos estudantes cearenses da 4ª série do ensino fundamental têm um nível de conhecimento adequado à série; a maioria encontra-se em estado muito crítico (30,4%) ou crítico (41,2%). Na 8ª série, a proporção de alunos “adequados” é de 5,2%.
Entre os autores selecionados pela secretaria estão Almir Mota, que já escreveu sete livros infantis; Demitri Túlio, jornalista ganhador de um prêmio Esso; Flávio Paiva, escritor e colunista do jornal Diário do Nordeste; Horácio Dídimo, poeta e professor do departamento de Literatura da pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará; e Virgílio Maia, escritor membro da Academia Cearense de Letras. As ilustrações ficaram a cargo de Válber Benevides, artista plástico e ganhador do Prêmio em charge na Primeira Bienal Internacional de Quadrinhos; e de Guarabiras, cartunista do jornal O Povo (de Fortaleza), entre outros.
Municípios contemplados e seus IDH-M
Barroquinha: 0,551
Granja: 0,554
Salitre: 0,558
Saboeiro: 0,560
Aiuabá: 0,566
Itatira: 0,569
Choró: 0,570
Tarrafas: 0,570
Assaré: 0,577
Umirim: 0,578
Chaval: 0,579
Catarina: 0,580
Martinópole: 0,583
Miraíma: 0,583
Araripe: 0,584
Arneiroz: 0,587
Uruoca: 0,587
Cariaçu: 0,591
Coreaú: 0,591
Graça: 0,593
Moraújo: 0,593
Ocara: 0,594
Bela Cruz: 0,595
Potengi: 0,596
Ibaretama: 0,597
Paramoti: 0,597
Deputado Irapuan Pinheiro: 0,6
Massapê: 0,6
Tururu: 0,6
Novo Oriente: 0,602
Mombaça: 0,604
Pires Ferreira: 0,606
Alcântaras: 0,607
Morrinhos: 0,608
Farias Brito: 0,609
Ipaporanga: 0,609
Santana do Cariri: 0,609
Tejuçuoca: 0,611
Parambu: 0,613
Amontada: 0,616
Ipueiras: 0,617
Potiretama: 0,617
Caridade: 0,618
Irauçuba: 0,618
Barreira: 0,619
Santana do Acaraú: 0,619
Apuiarés: 0,622
Cariré: 0,622
Jijoca de Jericoacoara: 0,623
Quiterianópolis: 0,625
Ararendá: 0,626
Catunda: 0,628
Mucambo: 0,629
Cariús: 0,630
Capistrano: 0,631
Hidrolândia: município criado depois de 2000
Jardim: município criado depois de 2000
Madalena: município criado depois de 2000
Meruoca: município criado depois de 2000
Reriutaba: município criado depois de 2000
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Fonte: Fortaleza, 09/01/2007,TALITA BEDINELLI, da PrimaPagina
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